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QUEM FAZ O BRASIL MEMÓRIA EM REDE

No final do primeiro dia do Fórum Brasil Memória em Rede, realizado no Sesc Vila Mariana, em São Paulo, muitos temas haviam sido debatidos e boas idéias estavam encaminhadas. Participante da mesa sobre “Memória, Comunicação e Cultura”, o jornalista Mauro Malin, do Observatório da Imprensa, apontava a “profusão de idéias” e falou sobre uma das sugestões levantadas no grupo do qual participava: uma rede pública e gratuita de internet banda larga. Entre outras funções, a rede seria uma forma de compensar a concentração de espaços culturais e acesso à informação nas regiões economicamente mais desenvolvidas do país. Um dado levantado pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) mostra que os museus brasileiros estão instalados em apenas 16% das cidades.

Para Lídia Rebouças, coordenadora de redes sociais da Fundação Avina Brasil, a importância do encontro está na possibilidade de promover uma sinergia entre as pessoas que trabalham com memória para que mantenham contato e “não se conheçam apenas por e-mail ou pelo nome da instituição em que trabalham”.

A própria lógica dos debates nas mesas facilita esse intercâmbio. O Fórum está dividido em quatro blocos temáticos: Memória Comunicação e Cultura, Memória e Desenvolvimento Comunitário, Memória Institucional e Sociedade e Memória e Educação. Cada um desses blocos tem cerca de 25 participantes, divididos em cinco mesas. As discussões em cada mesa duram em média uma hora e meia e a cada 30 minutos os participantes se revezam nas mesas. Ao final do dia acontece uma feira de troca de idéias e de propostas de trabalho. A partir desta feira, existe o encaminhamento de uma proposta-compromisso que deve ser executada.

Memória estudantil
Presidente do CEMJ (Centro de Estudos e Memória da Juventude), Fábio Palácio tem uma relação próxima com memória do movimento estudantil. Ao assumir a presidência do CEMJ começou a trabalhar em projetos de resgate de sua história. A partir do Fórum BMR, ele já articulou a edição de uma revista sobre o tema que trabalha e se diz satisfeito “com a boa troca de experiências e com a metodologia de construção de história que pôde aprofundar no encontro”.

Global lives: 24 horas
Nascido em São Francisco, nos Estados Unidos, David Harris é um típico “obssessivo com arqueologia pessoal”, como ele define sua mania de coletar “fragmentos de sua vida, tal como cartões de visita, passagens aéreas e de ônibus, entre outras coisas”. Desde pequeno sempre gostou de escrever em jornais e fotografar, mas aos poucos ganhou mais afinidade com a filmadora e fez disso sua profissão. Atualmente, trabalha no projeto “Global Lives”, no qual filma 24 horas na vida de dez pessoas que representam a diversidade das experiências humanas em nosso planeta. O resultado final de seu projeto será uma instalação de vídeo que percorrerá o mundo. Harris acredita que a iniciativa de memória local e em rede possibilita uma melhor compreensão da diversidade humana e suas peculiaridades étnicas, religiosas e políticas.

Memória iluminadora
O cantor e compositor Gereba, que participa do debate “Memória, Comunicação e Cultura”, acredita que a discussão em torno desse tema pode ser definida no formato de “dois faróis que a mídia ilumina e uma zona escura, na qual a mídia não joga luzes”. Segundo essa explicação, a grande mídia tem dado atenção ao brega e ao cult. Se por um lado proliferam cantores bregas e programas de auditório que definem um padrão de música e comportamento, por outro a mídia projeta alguns poucos “artistas de conteúdo”, enquanto a maioria fica estacionada na zona escura. Ele acredita que a iniciativa de um projeto de memória em rede – somada às facilidades da internet – pode resultar na iluminação da zona escura onde estão milhares de artistas talentosos e de pouca visibilidade.

O I Fórum Brasil Memória em Rede tem entre seus objetivos construir um diálogo intersetorial para fazer da memória uma ferramenta de desenvolvimento social e cultural do país, dar início a uma rede nacional de memória, incentivar a colaboração entre os colaboradores e apresentar metodologias de uso da memória. Participam mais de 100 organizações, institutos e órgãos de governo.

Outras notícias:
Uma das Mesas de discussão do BMR
  Fábio Palácio, Presidente do CEMJ
  David Harris, do Global Lives
 
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