Família Vicentini

Identificação

Meu nome é Jovita Vicentini Giarola, eu nasci na Colônia do Marçal no dia 15 de fevereiro de 1913. Meus pais se chamavam Alberto Vicentini e Josefina Vicentini e meus avós por parte de pai se chamavam Erso Vicentini e Madalena Vicentini Bonci e por parte de mãe se chamavam Pedro Giarola e Dileta Giarola.

Origem/Família

Minha família é de origem italiana. Meus avós vieram no final do século passado para São João del Rei e meus pais nasceram no Brasil. Papai e mamãe tiveram três homens e três mulheres. Minha família veio de Nápoles, somos italianos legítimos. Quando meu avô paterno estava vindo no navio com sua mulher e filha aconteceu uma desgraça Sua mulher pegou febre tifo no caminho da Itália para o Brasil e ficou muitos dias mal. Tomou remédios mas não adiantou e morreu. Como estava muito longe de seu destino seu corpo teve que ser jogado ao mar. Chegando ao Brasil já com uma filha nos braços lembrou-se de uma antiga namorada que residia ainda na Itália. E então escreveu uma carta para ela pedindo- a em casamento, então ela se casou com um homem na Itália por procuração e ele se casou aqui no Brasil também por procuração, já que ela não podia vir para o Brasil ainda solteira. Foi dessa união que nasceu a minha mãe. Aqui em São João del Rei, os italianos foram muito bem tratados, ganharam lotes, mas em alguns lugares havia mais areia do que terra. Eles trabalhavam para os donos de terra, plantando cana, café e outras coisas. Na minha casa as tarefas eram divididas e cada um fazia um serviço. Meu pai eram pedreiro e minha mãe era verdureira. Na nossa casa quem tinha mais autoridade era meu pai. Meu pai era muito bom me levava em festinhas, casamentos, minha mãe era mais caseira. Quando íamos aos bailes, papai ia junto para vigiar.

Eu gostava muito da minha casa e lá vivíamos muito bem e também relacionava muito bem com meus irmos e com meus amigos.

Educação / Religião

Eu estudei até os l0 anos, porque eu tive de ajudar a minha mãe nas tarefas do lar. Para ir ate a escola era muito cansativo, mas íamos todos os dias alegres. Íamos a pé até as Águas Santas que ficava bem longe da nossa casa. Na minha infância meu sonho era crescer e constituir família. Quanto a minha educação religiosa, eu sou católica. Além disso eu brincava de roda, dançava e me divertia muito com meus irmãos e amigos.

Depois que saia da aula trabalhava de varias formas. De início tomava conta de meus irmãos para que meus pais pudessem trabalhar. Depois de um tempo fui trabalhar na roça mais também já trabalhei de faxineira na minha casa, cheguei a ajudar meus pais nas construções, carregando tijolos e água. Fazia isto por obrigação para ajudar meus pais e porque era a filha mais velha. A casa de meus pais e de minha infância foi construída com adobe, foi meu pai quem a construiu. A casa era velha e tinha muitos cômodos mais ou menos dez, a casa existe ainda. Ela se localiza na subida das Águas Santas e atualmente sofreu reformas na mão dos novos donos, mas ainda mantêm a mesma fachada e o mesmo estilo.

Vida de casada

Ao me casar fiquei ao mesmo tempo alegre e triste pois ia me separar de meus pais, e eu gostava muito da casa de meus pais e senti muito por ter saído de lá porque tinha ótimas lembranças da casa de meus pais. O meu namoro foi muito bom, porque sempre tive muito juízo e o meu casamento também foi bom, eu fazia as mesmas coisas de antes, plantava, colhia e arrumava tudo. Toda a vida tive horta e ajudava meu marido nestas atividades. Nunca faltou nada dentro de casa toda a vida tive de tudo, e trabalhava muito na roça, tive um filho por ano. O trabalho era dividido. As mais velhas trabalhavam comigo na roça e quem cuidava das crianças menores era a Zizi e a Lourdes. Quando eu ia para a roça às vezes levava as crianças menores, elas não trabalhavam só faziam arte. Minha vida foi apertada, lutei muito para chegar aonde estou, graças a Deus estou bem. As compras eram feitas por meu marido Guilherme Giarola que ia a cidade e comprava tudo o que precisava. No meu casamentos eu tive 14 filhos, Vevete. Zeca, Dinho, Cilola, Lourdes, Zizi, Neide, Paula, Quica, Walter, Maria, Vicente e Conceição sendo que a primeira morreu ainda pequena. Criei meus filhos à vontade com a família, os únicos castigos eram as tarefas do lar e do campo. Mas meu filho Walter era muito levado, eu sai um dia e o deixei com as meninas então ele chamou uma delas para brincar de barbeiro e cortou todo o seu cabelo deixando-a careca e depois fugiu e ficou o dia inteiro fora com medo de apanhar mas ninguém bateu nele, o seu cabelo custou a crescer então ela usava um lenço na cabeça. Outra travessura de Dinho foi amarrar bombinhas no rabo do gato e acendeu e o gato saiu correndo para. o canavial e todo o canavial pegou fogo. Não podia comprar brinquedos para as crianças, mas elas sempre tinham, as meninas bonecas comuns de papelão e os meninos carinhos feitos a mão que meu marido Guilherme comprava. de um homem na cidade.

Vida Atual

Nunca na minha vida pensei em sair do Brasil para ir para a Itália. Atualmente eu moro com meu filho Vicente, minha nora e meus netos. E a minha vida agora e fazer café, arrumar a casa, tudo que tiver de fazer e fora isso eu descanso e converso com meus filhos e netos eu gosto muito de conversar. Eu tenho 63 netos e 45 bisnetos. Não gosto de política e continuo com a mesma religião, a católica, vou a missa, rezo bastante, nunca neguei uma esmola para os pobres. Agora o que eu espero da vida é saúde e poder olhar os meus netos e conversar, porque gosto muito de conversar. Ao longo da minha vida vejo que a vida hoje é mas difícil, e como já estou velha tenho que achar tudo bom até essa entrevista que foi boa porque relembra o meu passado. Eu espero da vida, a morte. Eu gostei desta entrevista porque gosto de contar a minha vida e relembrar os momentos bons e do povo que deixei para trás. Ainda tenho alguns objetos daquela época em casa como um armarinho, que eu comprei de segunda meu logo ap6s o meu casamento. Um cofre, onde eu punha minhas economias. E o mais antigo é o oratório.